11 de abr. de 2011

Título

Por um instante num lugar qualquer. - Marco Aurélio Portugal

Eis que surgiu um prodígio. E eu já não sabia mais onde ele ia parar.
Implorou por ajuda e, sem poder negar, lágrimas percorreram meu rosto.
Comecei então a lapidá-lo. Oferecendo-lhe sua inerente beleza.

Eu o abracei, porém não registrei.
E então, como se tudo dependesse disso, nada aconteceu.
Ninguém entendeu, não souberam que havia existido brilho tão intenso.

Não escrevi. Como aquele beijo em noventa e quatro, tão vívido em nossas mentes, e que lá morrerá.
Ou que nunca ocorreu? Como irão saber? Pode estar acontecendo agora.
Não tenho tempo para parar o tempo, o melhor agora é saborear a ignorância.

Resolvi pensar então, se o que se passa em minha mente é realmente o que eu penso.
Uma vez que o que eu havia pensado nunca existiu realmente.
Resitiu. Persistiu. Sorriu.

Tal qual uma flecha atravessando o ar, ele permaneceu estático.
E então como uma doce chama transformou sua solidão tremeluzente em cinzas.
Ninguém deveria morrer assim.

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