Fechou os olhos.
Sentia-se muito confortável em sua cama. Pensou que podia morrer. Tinha uma ideia estranha de que quando morresse sua última sensação seria a única coisa que restaria. Naquele momento, um incrível conforto. Poderia sentir aquilo pelo resto da eternidade. Mas não era só isso, estava também satisfeito. Ainda não tinha feito tudo que queria na vida, mas era feliz.
Então morreu. Ou algo perto disso.
Levantou-se num pulo e correu pelo bosque. Sentia-se acuado, fugindo não sabia de quê. Precisava correr mais rápido, se esforçava ao máximo, mas parecia que suas pernas não o obedeciam, pois não aumentavam a velocidade. Até que chegou a um rio. Fim da linha.
Pulou, o que tinha a perder? A consciência.
Quando acordou estava deitado à beira de um rio, não sabia dizer se era o mesmo. Algo havia mudado, ele ou o rio? Não sabia dizer como havia chegado lá. Não sabia dizer, percebeu. Abria a boca, mas sua voz não saía. Gritava o mais alto que podia, mas o silêncio permanecia. Um desespero tomou seu corpo, ficou tonto, cambaleou, caiu de joelhos. Tentou acalmar-se. Olhou para cima, um lindo céu azul claro, o sol brilhava forte. Podia senti-lo entrando por seus poros, dando-lhe forças. Poderia morrer.
Levantou-se e olhou ao redor. Logo atrás dele, escondendo-se atrás das plantas do bosque havia uma moça. "Linda!" - tentou falar, sem sucesso. E ela, como se tivesse escutado, correu mata a dentro. E ele sem entender porque, foi atrás. Eram seus instintos. Tropeçou e caiu no buraco, na armadilha. Dolorido, olhou para cima e lá estava a bela moça, sorrindo. Sentiu frio.
Ela falou algo, mas ele não ouviu. Percebeu que ela mexia a boca, mas não a escutava. Finalmente percebeu que não era apenas sua própria voz que ele não ouvia, estava imerso num silêncio absoluto. Estava realmente esfriando.
A menina pulou para dentro do buraco e beijou-lhe a boca com paixão. Paralisado pela surpresa, quase caiu para trás. Foi quando percebeu as lindas asas da garota, asas de borboleta. Nem teve tempo de pensar, e ela foi embora voando. Agora ele já estava quase congelando.
Acordou. Voltou para debaixo do cobertor e pensou:
"Essa era real demais para mim..."

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